Black is beautiful! White is wonderful!
Félix Maier
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa,
assumiu no dia 22/11 a presidência da mais alta corte brasileira. A notícia,
propalada em toda a mídia, fez questão de repetir que se trata do primeiro
negro a assumir o posto. Puro engano. Segundo o site da Fundação Cultural
Palmares, Barbosa é o terceiro negro a presidir o STF - cfr. em http://www.palmares.gov.br/2012/02/joaquim-barbosa-sera-o-terceiro-negro-da-historia-do-stf/.
Só faltou o site informar quem foram os dois primeiros.
Para marcar posição naquela semana
que teve o Dia da Consciência Negra (dia 20/11) e dia 23/11, o Black Friday,
não só nos EUA mas também na Terra dos Papagaios (embora, aqui, não passe de
“Black Fraude”...), o cerimonial do STF emitiu 2.000 convites, sendo que muitos
deles para personalidades negras, como Lázaro Ramos, ou que se apresentam como
negras, ainda que não o sejam de fato. Festa na senzala?
A presidente da República Dilma
Rousseff também compareceu ao evento. Chamou a atenção sua expressão carrancuda
durante toda a cerimônia. O que estaria pensando a presidente? Em indulto de
Natal aos mensaleiros petralhas, principalmente ao "camarada
d'armas", José Dirceu?
No Brasil de Barbosa, assim como nos
EUA de Obama, fala-se mais na cor da pele destas personalidades do que nas
personagens em si. Nos EUA, todos os pecados de Obama são perdoados
simplesmente por ser negro, como o seu incontido belicismo, que é ainda maior
do que o de Bush Filho. O Nobel da Paz - que ironia! - não cumpriu a promessa
de desativar Guantánamo, mandou metralhar Osama bin Laden no Paquistão e
ordenou a matança de milhares de islâmicos lançando mísseis a partir de
Veículos Aéreos Não-Tripulados. Enquanto Bush ordenava ataques “cirúrgicos”
contra os chefões da Al-Qaeda, Obama ordena ataques contra extremistas
islâmicos em geral, principalmente no Paquistão, no Iêmen e na Somália. Desde
2004, em suas “guerras
de drones”, os EUA já mataram cerca de 2.400 pessoas, incluindo civis
inocentes, como mulheres e crianças.
Na Terra dos Papagaios, Joaquim Barbosa é louvado por
muitos, mas odiado por toda a petralhada, devido à sua ação firme para condenar
os mensaleiros petistas e aliados. As louvações à sua pele são ainda maiores do
que a sua postura frente à Ação Penal antipetralhas que conduziu no STF, como
relator. Por outro lado, imagino os impropérios que são ditos pela petralhada
contra o nosso "Batman", incluindo palavrões e frases infamantes
relacionadas à cor de sua pele. Uma prova desse racismo pode ser visto na fala
odiosa do petralheiro condenado pelo STF, João Paulo Cunha - cfr. em O
PT rasga a fantasia: Negro filho da mãe! Negro traidor! E
os integrantes dos movimentos negros, o que têm a dizer sobre esse crime
racista?
O problema no Brasil, hoje, é saber
quem realmente é negro. Segundo o IBGE, todos os negros-negros e os pardos são
considerados negros e somam mais de 50% da população brasileira. Seriam em
torno de 97 milhões de habitantes. Obviamente, esse dado estatístico não tem
nenhuma credibilidade por contrariar um dado científico: a miscigenação
brasileira foi feita entre brancos e negros e não entre negros e negros. Na
verdade, de acordo com o Censo 2010,
a população negra é de 15 milhões de pessoas, os pardos
somam 82 milhões e os brancos, 91 milhões.
Essa malandragem do IBGE traz em si
mesma uma concepção de racismo às avessas, o racismo negro, por querer impor o
sangue negro como sendo preponderante na mistura das "raças",
eliminando sumariamente o sangue branco. No fundo, o que essa gente quer dizer
é que o sangue negro é mais nobre que o branco. E na Nigéria, o mestiço ou
pardo seria considerado branco?
É muito estranho que grupos de
"defesa de afrodescendentes" queiram chamar de negra, p. ex., uma
morena como Thaís Araújo ou Camila Pitanga. Elas têm, digamos, uns 50% de
sangue branco e outros 50% de sangue negro. São, naturalmente,
"morenas", não "negras", como muitos (racistas de cor?)
querem impor. Chamá-las de "negras" equivale a chamá-las também de
"brancas", o que efetivamente elas também não são. Nesse mesmo erro
incorreu Paula Barreto, branca, filha do produtor de cinema Luís Carlos
Barreto, que se casou com um negro, o jogador de futebol Cláudio Adão, e que
não aceita a denominação do termo "pardo": “Tenho horror a ele. É
feio, preconceituoso. Meus filhos são negros e são felizes". Pelo visto,
virou mesmo moda de muito "moreno-claro" se apresentar como
"negro ébano", só para acompanhar a onda politicamente correta em
voga e entrar numa faculdade pela janela, usando a escada das cotas racistas.
O racismo às avessas teve grande
impulso com FHC (o que “tinha um pé na cozinha”), que na deliberação do
Programa Nacional dos Direitos Humanos, criado em 1996, deu início à divisão do
Brasil em um país bicolor: "Determinar ao IBGE a adoção do critério de se
considerar os mulatos, os pardos e os pretos como integrantes do contingente de
população negra". Assim, os mestiços, ainda que tenham 50% de sangue
europeu, passam a ser tratados como africanos puros, um absurdo! Com uma
penada, FHC pretendeu acabar com uma instituição nacional, a
"mulata".
Em futuro ainda distante, o Brasil
será composto por uma maioria de mestiços. Tanto brancos e negros serão
minorias nesse universo, fato que os integrantes dos movimentos negros não
aceitam. Frases como "black is beautiful!"
e "white
is wonderful!", no futuro, não significarão mais
nada, pois todos seremos morenos.
Brown is beautiful!
Leia, ainda, de minha autoria:
Racismo
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